O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu publicamente o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro em uma publicação na rede social Truth Social em 7 de julho de 2025, acusando o Brasil de promover uma “caça às bruxas” no processo do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga uma suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022. A declaração, feita durante tensões diplomáticas com o BRICS, gerou reações imediatas: Bolsonaro celebrou o apoio, enquanto o governo Luiz Inácio Lula da Silva repudiou a interferência externa, classificando-a como afronta à soberania nacional.

Trump afirmou que Bolsonaro está sendo tratado de forma “terrível” e não é “culpado de nada, exceto por lutar pelo povo“. Descreveu-o como “um líder forte” e “negociador duro em comércio“, destacando que a eleição de 2022 foi “muito apertada” e que Bolsonaro “lidera nas pesquisas para 2026“. Comparou o caso às suas próprias batalhas judiciais nos EUA, prometendo acompanhar “muito de perto” o que chamou de perseguição política. O ex-presidente brasileiro reagiu em entrevista à CNN Brasil, recebendo as palavras de Trump “com muita alegria” e qualificando o processo como “aberração“.
Bolsonaro responde no STF por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e outros crimes ligados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. O julgamento, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, envolve outros sete réus — incluindo o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-chefe da ABIN Alexandre Ramagem — e deve ocorrer entre agosto e setembro de 2025. Bolsonaro está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o condenou por abuso de poder político e econômico e disseminação de mentiras sobre o sistema eleitoral.
O presidente Lula rejeitou publicamente a intromissão: “Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja“. A ministra Gleisi Hoffmann (PT) reforçou que o processo segue o “devido processo legal“. Já o senador Flávio Bolsonaro agradeceu a Trump, enquanto Eduardo Bolsonaro, nos EUA desde fevereiro de 2025, foi apontado como articulador do apoio americano, conforme revelado pelo jornalista Gustavo Uribe no X. Eduardo Bolsonaro diz em vídeo que a fala de Trump não será a única da semana” A declaração de Trump ocorre um dia após ele ameaçar tarifas de 10% contra países do BRICS, acusados de “políticas antiamericanas” — medida criticada na cúpula do bloco no Rio de Janeiro.
A oposição brasileira teme que o episódio abra caminho para sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, alvo de críticas de aliados de Trump como Elon Musk e a plataforma Rumble, que o citaram judicialmente em 6 de junho de 2025. Analistas apontam que a estratégia visa pressionar o Brasil em um momento sensível: o país preside o BRICS e defende reformas em organismos multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU.
A intervenção de Trump internacionalizou o julgamento de Bolsonaro, acirrando divisões internas e expondo fragilidades diplomáticas. Enquanto apoiadores do ex-presidente veem nas declarações um respaldo à narrativa de perseguição, o governo Lula enfrenta o duplo desafio de preservar a soberania judicial e manter relações estáveis com os EUA — um equilíbrio que definirá os rumos da política externa brasileira em meio a uma ordem global cada vez mais polarizada.