## INTRODUÇÃO
O dólar à vista encerrou o pregão desta quinta-feira em **leve alta**, em um movimento atribuído por operadores à nova rodada de tensão política causada pela carta do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso, na qual ele reforça o nome do filho primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como principal aposta da direita para liderar a oposição nas eleições presidenciais de 2026.[3][4] A leitura do documento ocorreu em frente a um hospital em Brasília e reacendeu o debate sobre sucessão e radicalização no país.[3][5] Para conter a volatilidade e tentar ancorar expectativas no mercado de câmbio, o Banco Central promoveu **novos leilões de dólares**, combinando oferta de linha e swap cambial, numa atuação vista como sinal de que a autoridade monetária seguirá vigilante diante do aumento de ruído político.
## DESENVOLVIMENTO
A carta, escrita à mão por Jair Bolsonaro na carceragem da Polícia Federal em Brasília e datada de 23 de dezembro, foi lida por Flávio Bolsonaro em frente ao hospital DF Star, pouco antes de o ex-presidente passar por cirurgia.[2][3] No texto, Bolsonaro afirma enfrentar um “cenário de injustiça” e declara a decisão de indicar o filho como **pré-candidato à Presidência da República em 2026**, frisando que entrega “o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho” para “resgatar o Brasil”.[1][4] A mensagem reforça anúncio feito por Flávio no início de dezembro, quando ele já havia dito ter sido escolhido pelo pai para disputar o Planalto.[3][7]
Mesmo preso e inelegível até 2030, após condenação por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro permanece como principal liderança do campo bolsonarista e figura central da oposição ao governo.[3] A formalização, agora em carta, é interpretada por aliados como gesto para encerrar disputas internas e consolidar Flávio como herdeiro político direto do ex-presidente.[4][7] Diante do hospital, o senador afirmou que o documento “retira qualquer sombra de dúvida” sobre sua pré-candidatura e cobrou unidade da direita em torno de seu nome.[7]
No mercado financeiro, a combinação de ruído político e incerteza sobre o quadro eleitoral de 2026 aumentou a demanda por proteção em dólares, o que colaborou para a movimentação de alta na moeda americana. Investidores monitoraram também a atuação do Banco Central, que realizou leilões adicionais para prover liquidez e tentar suavizar a pressão sobre o câmbio, numa semana já sensível por causa do noticiário político e do ambiente externo.
## ANÁLISE
A reação do dólar à carta de Bolsonaro evidencia a **sensibilidade dos preços de ativos ao risco político** e à percepção de radicalização do debate eleitoral antecipado. A indicação explícita de Flávio como herdeiro do projeto bolsonarista tende a cristalizar a polarização com o campo governista, reduzindo espaço para alternativas de centro e elevando a incerteza sobre a condução futura da política econômica. Para o mercado, a prisão e a inelegibilidade do ex-presidente não eliminam sua capacidade de influenciar a agenda do país, o que mantém o chamado “prêmio de risco” associado ao fator Bolsonaro embutido no câmbio e nos juros. A atuação do BC, ao intensificar leilões, sinaliza que a autoridade monetária está disposta a reagir a choques de confiança, mas também expõe o limite da política cambial diante de um quadro político mais ruidoso.
## CONCLUSÃO
A leve alta do dólar, em meio à carta de Jair Bolsonaro reforçando a pré-candidatura de Flávio em 2026, mostra que o mercado segue atento à escalada do risco político e à antecipação da disputa presidencial. A indicação do filho como líder da oposição reorganiza o tabuleiro da direita, tende a aprofundar a polarização e adiciona volatilidade ao câmbio. Com o Banco Central atuando por meio de leilões para conter movimentos mais bruscos, a trajetória do dólar seguirá condicionada à evolução do cenário político, à solidez das instituições e à capacidade de o governo e a oposição reduzirem a imprevisibilidade até 2026.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
O dólar comercial fechou em **R$ 5,54**, alta de **0,16%** no último pregão, enquanto o **BC vendeu US$ 2 bilhões** em dois leilões de linha para conter a valorização da moeda.[1][6] O euro subiu **0,33%**, a **R$ 6,52**.[1]
Alguns agentes veem a carta de Jair Bolsonaro, reforçando **Flávio Bolsonaro** como líder da oposição em 2026, como fator de **maior incerteza política**, o que tende a pressionar o câmbio.[1][4] Outros destacam que o movimento foi limitado pela atuação do BC e pelo baixo volume típico do pós-Natal, relativizando o peso exclusivo da política doméstica.[1][4]
Próximos desenvolvimentos que o mercado deve acompanhar:
– Novas **intervenções cambiais** do BC e seu discurso sobre o nível “desejável” do câmbio.[1][4]
– A **evolução do quadro eleitoral de 2026**, incluindo alianças e pesquisas envolvendo Flávio Bolsonaro e outros nomes.[3][5]
– Dados de *