## INTRODUÇÃO
A safra recorde de algodão em 2025 colocou o Brasil no centro do mercado mundial da fibra, mas o cenário interno ficou longe de ser eufórico. A combinação de oferta abundante, consumo doméstico enfraquecido pela indústria têxtil e preços internacionais em patamares baixos derrubou as cotações no mercado interno ao longo de todo o ano.[1][2] Ainda assim, o setor encontrou fôlego nas vendas externas: o país consolidou a liderança como maior exportador global, encerrando 2025 com embarques históricos que passaram de 3 milhões de toneladas, volume superior ao do ano anterior.[1][2][6] Entre margens apertadas, ajustes de área e foco crescente no mercado externo, produtores e tradings fecharam o ano divididos entre preocupação com a renda e confiança na competitividade brasileira.
## DESENVOLVIMENTO
Em 2025, o Brasil confirmou a posição de terceiro maior produtor mundial de algodão e principal fornecedor da fibra no comércio internacional, sustentado por uma colheita considerada histórica.[1][3][4] Consultorias de mercado estimam a produção na casa de pouco mais de 4 milhões de toneladas na safra 2024/25, patamar próximo ou superior ao recorde anterior, impulsionado por ganhos de produtividade e expansão em áreas do Centro-Oeste e do Matopiba.[1][3] A ampla disponibilidade de pluma pressionou os preços domésticos, num contexto em que a indústria têxtil brasileira manteve ritmo fraco de compras, ainda sob impacto de custos elevados, concorrência de importados e demanda interna contida.
No front externo, porém, o quadro foi oposto. Amparado por logística mais eficiente e câmbio favorável, o Brasil exportou pouco mais de 3 milhões de toneladas em 2025, novo recorde anual, superando as cerca de 2,8 milhões do ano anterior, segundo dados oficiais compilados por entidades do setor.[1][2][6] Apenas em dezembro, os embarques somaram cerca de 450 mil toneladas, o maior volume mensal já registrado.[1] As estimativas para a safra 2025/26 apontam leve recuo de produção, para algo próximo de 3,9 a 4 milhões de toneladas, mas com exportações ainda firmes, projetadas acima de 3,1 milhões de toneladas.[2] Esse desempenho garante folga ao escoamento da safra e reforça a presença brasileira em mercados-chave da Ásia, como China, Vietnã e Bangladesh.[1][2]
## ANÁLISE
A queda prolongada dos preços internos em 2025 expôs a dependência do algodão brasileiro de fatores externos, principalmente da demanda global e da competitividade frente a outros grandes players, como Estados Unidos e países asiáticos.[2][4] Para o produtor, o ano foi marcado por margens pressionadas, maior seletividade no investimento em tecnologia e revisão de área em regiões de custo mais alto.[2] Ao mesmo tempo, o recorde de exportações mostrou que a escala produtiva, aliada à eficiência logística e ao câmbio, mantém o Brasil em posição privilegiada no comércio internacional da fibra.[1][2] Isso, porém, reforça a vulnerabilidade do setor à volatilidade de preços internacionais e a mudanças em políticas comerciais de grandes compradores.
## CONCLUSÃO
O fechamento de 2025 com preços em queda e exportações em alta sintetiza o dilema do algodão brasileiro: forte no mercado externo, pressionado em casa.[1][2] A expectativa para 2026 é de leve redução de produção, mas manutenção da liderança nas exportações, desde que a produtividade se mantenha em níveis próximos à média recente.[1][2] Para reduzir riscos, especialistas apontam a necessidade de diversificar mercados, fortalecer o consumo interno e avançar em estratégias de hedge e gestão de risco de preço, de modo a proteger a renda do produtor em um cenário de maior incerteza global.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
O Brasil colheu **safra recorde** de cerca de **4,1 milhões t de pluma em 2024/25** e exportou **pouco mais de 3 milhões t em 2025**, novo recorde histórico, mantendo-se como **maior exportador mundial**.[1][3][7]
**1. Dados/estatísticas relevantes**
– Exportações 2025: ≈ **3,0 milhões t**, ante 2,8 milhões t em 2024.[1][7]
– Produção 2024/25: **4,08 milhões t**; consumo interno em 2025 em torno de **730 mil t**, em queda.[3]
– Para 2025/26, Conab estima **4,03 milhões t** (‑1,1%) com área de **2,14 milhões ha** (+2,5%).[3]
**2. Perspectivas diferentes**
– Consultorias apontam que **preços internacionais baixos** desestimulam plantio e podem reduzir a produção em algumas regiões.[1]
– Outros analistas destacam que a **escala produtiva e logística competitiva** sustentam o protagonismo exportador, mesmo com leve recuo de oferta.[1][2]
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