## INTRODUÇÃO
O governo Lula enviou uma missão oficial a Cuba em dezembro de 2025 para estudar o modelo cubano de participação social e consultas populares[1][3]. A iniciativa, coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores e pela Controladoria-Geral da União (CGU), manteve servidores brasileiros em Havana por dez dias com o objetivo de compreender como o governo cubano mobiliza milhões de pessoas em processos de participação presencial em larga escala[1][3]. A escolha gerou reações críticas de especialistas brasileiros, que questionam a legitimidade de buscar referências em um regime ditatorial comunista para fortalecer práticas democráticas no Brasil[1].
## DESENVOLVIMENTO
Segundo o governo brasileiro, o interesse técnico é concreto: aprender como Cuba consegue engajar 8,9 milhões de participantes em consultas populares, com 1,7 milhão de intervenções e 783 mil propostas sistematizadas[3]. O referendo constitucional cubano de 2019 alcançou 90,15% de comparecimento eleitoral, com aprovação de 86,85% dos votos[3]. A delegação brasileira foi recebida no Ministério da Justiça cubano e mapeou três frentes: estruturas organizacionais territoriais, estratégias de mobilização presencial e mecanismos de incorporação das contribuições cidadãs em propostas legislativas[3].
Porém, especialistas contestam a justificativa técnica. Daniela Alves, especialista em Relações Governamentais, argumenta que a escolha não é neutra: “Ao buscar Cuba como referência em participação social, o governo brasileiro não está apenas observando métodos administrativos, mas sinalizando uma adesão a uma visão específica de participação típica de regimes autoritários”[1]. O cientista político Marcelo Suano é mais direto: “A lógica é puramente ideológica”[1].
A cooperação ocorre em contexto de aproximação diplomática mais ampla entre Brasil e Cuba, incluindo missões comerciais e encontros de alto nível[4]. O governo destaca que a parceria é “de mão dupla”[3], mas a iniciativa expõe uma contradição: enquanto Lula defende a democracia em campanhas internacionais, na prática busca fortalecer regimes autoritários[1].
## ANÁLISE
A missão a Cuba reflete tensões estruturais na política externa do governo Lula. Enquanto a administração apresenta o aprendizado como puramente técnico—logística, protocolos e governança para engajar cidadãos[3]—críticos veem na escolha de Cuba uma sinalização ideológica problemática. A decisão torna-se ainda mais controversa diante das eleições gerais de 2026[1], quando opositores poderão usar a iniciativa para questionar o compromisso do governo com valores democráticos. O debate revela uma questão fundamental: é possível separar método de regime político, ou a escolha de parceiros de cooperação sempre carrega implicações ideológicas?
## CONCLUSÃO
A missão brasileira a Cuba permanece como estudo de caso de participação em larga escala, mas gerou desconfiança sobre as intenções reais do governo Lula. Enquanto o executivo defende o caráter técnico da cooperação, especialistas questionam se essa aproximação com um regime autoritário não compromete a credibilidade democrática brasileira. O episódio ilustra os dilemas da política externa contemporânea: a busca por eficiência administrativa versus a coerência com valores democráticos.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
O governo Lula enviou servidores a **Cuba** para cooperação técnica sobre participação social, citando como referência a reforma constitucional cubana de **2018–2019**, que teria envolvido consultas a milhões de cidadãos.[2]
1. **Dados/estatísticas**
– Organizações de direitos humanos apontam **milhares de presos políticos em Cuba**, o que, segundo especialistas, compromete a autenticidade da participação.[2]
– A cooperação Brasil–Cuba em transparência e participação prevê ações entre **nov/2025 e abr/2026**, com oficinas binacionais e capacitação internacional.[3]
2. **Perspectivas diferentes**
– **Governo**: defende a troca de experiências técnicas e a não interferência em regimes políticos alheios, buscando mecanismos de engajamento comunitário e conselhos populares.[1][3]
– **Críticos**: afirmam que a escolha é **ideológica**, legitima uma ditadura de partido único e confunde a distinção entre democracia e autoritarismo, ignorando referências em democracias como Chile e Uruguai.[2][4]
3. **Próximos passo