## INTRODUÇÃO
A fotografia de Nicolás Maduro, algemado, vendado e vestido com um conjunto **Nike Tech Fleece** cinzento a bordo do navio de guerra norte‑americano USS *Iwo Jima*, tornou-se o ícone mais perturbador da nova ordem midiática: um presidente capturado em plena operação militar, convertido em meme, em tendência de moda e em alavanca de consumo instantâneo.[1][2][3][4] A cena, divulgada por Donald Trump nas suas redes, condensou numa só imagem a brutalidade da invasão da Venezuela pelos EUA e a lógica do **capitalismo mafioso**: a guerra como espetáculo, a pilhagem de petróleo como negócio comunicável e o corpo do inimigo transformado em outdoor involuntário de uma marca global.[2][3][4] Entre memes “Maduro fit”, piadas de “product placement” e tutoriais “steal the look”, a fronteira entre tragédia geopolítica e entretenimento consumível praticamente desapareceu.[2][3][4]
## DESENVOLVIMENTO
Em 3 de janeiro, durante a “Operation Absolute Resolve”, forças norte‑americanas capturaram Nicolás Maduro em Caracas e o transportaram, algemado, para Nova Iorque, a bordo do USS *Iwo Jima*.[2][5] A imagem divulgada por Donald Trump, mostrando o presidente venezuelano de Nike Tech Fleece cinzento, vendeu ao mundo dois enredos simultâneos: a demonstração de força militar dos EUA e a estetização do inimigo como figura quase banal, vestida com o “uniforme” global do streetwear de luxo acessível.[1][2][3][4]
A reação foi fulminante. Buscas por “Nike Tech” e “Nike Tech Fleece” explodiram no Google, enquanto o conjunto cinzento — apelidado de “Maduro grey” — esgotou rapidamente em vários tamanhos no site da Nike nos EUA.[1][2][3][5] No X e no TikTok, proliferaram memes “Just Coup It”, montagens com IA e vídeos que detalham preços e links para compra do look, sob a hashtag “Maduro fit”.[1][2][3][4] Sites de moda e cultura pop trataram o episódio como um case de viralidade, aproximando o destino político de Maduro do ciclo efêmero de qualquer trend.[2][3][5]
Ao mesmo tempo, analistas resgataram o histórico de Maduro: um líder que se apresenta como socialista e anti‑imperialista, à frente de um país devastado por sanções, hiperinflação, corrupção e fuga em massa de migrantes, agora retratado num ícone do capitalismo esportivo global.[3][4][5] A contradição virou combustível para críticas à sua retórica e, sobretudo, para uma leitura mais ampla sobre a captura das guerras pela lógica do marketing e da atenção.[3][4]
## ANÁLISE
A imagem de Maduro em Nike Tech Fleece funciona como síntese visual do **capitalismo mafioso** descrito por Ivana Bentes: um regime em que a pilhagem geopolítica, a violação de soberanias e o controle de recursos estratégicos são recobertos por uma camada de entretenimento, consumo e ironia digital.[4] A invasão da Venezuela, orientada pela doutrina Trump e pela ambição explícita de controlar temporariamente o país e sua indústria petrolífera, aparece enquadrada como espetáculo “compartilhável”, acionando imaginários de série de streaming e campanha publicitária.[4][5] Ao mesmo tempo, o corpo capturado de Maduro torna-se mídia: o prisioneiro político é reembalado como “influencer acidental” que impulsiona vendas, memes e engajamento — enquanto a violência estrutural do ato permanece em segundo plano.[1][3][4] A guerra deixa de ser apenas negócio de armas e petróleo para se tornar também **negócio de cliques, hype e desejo**.[3][4]
## CONCLUSÃO
O “Maduro de Nike” permanecerá como uma das imagens definidoras desta década: um presidente deposto, exibido como troféu de guerra e, simultaneamente, como cartaz ambulante de uma marca global.[1][3][4] Ela revela o grau de naturalização da violência quando mediada por estética esportiva, linguagem de meme e lógica de consumo instantâneo.[3][4] No capitalismo mafioso, a invasão de um país, o controle do seu petróleo e a humilhação de um inimigo são montados como narrativa pop, em que cada frame precisa ser compartilhável, vendável, “usável”.[3][4][5] A pergunta que fica não é apenas sobre a coerência de Maduro, mas sobre até que ponto o público global já se habituou a consumir a guerra como se consome um novo drop de coleção.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
## Complementação: Capitalismo Mafioso e a Imagem de Maduro em Nike
**Dados e alcance viral:**
A Nike Tech Fleece atingiu **mais de 5.000 menções diárias no X** entre 3 e 5 de janeiro, comparado a 325 menções diárias antes do episódio[5]. Buscas por “Nike Tech” dispararam no Google Trends[3], com esgotamento quase total do modelo em cinza no e-commerce americano em poucas horas[2].
**Perspectivas críticas e comerciais:**
Enquanto alguns analisam a captura como intervenção imperialista dos EUA[5], outros observam como a imagem **recontextualizou o poder político através da linguagem do mercado**[4]. O Nike swoosh substituiu insígnias de estado, tornando um momento geopolítico legível através do consumo[4]. Cristiano Ronaldo também foi associado à tendência, reforçando o status do produto entre atletas de elite[1].
**Desenvolvimentos esperados:**
A Nike permaneceu silenciosa comercialmente, deixando o “hype” se propagar organicamente[3]. Espera-se que a