# “Affordability”: O conceito que pode decidir as eleições no Brasil em 2026
## INTRODUÇÃO
O aumento do custo de vida passou a decidir eleições nos Estados Unidos e na Europa — e pode influenciar também a disputa eleitoral de 2026 no Brasil, avaliam especialistas[1]. O conceito de “affordability”, que mede o quanto a renda dá conta das despesas do dia a dia, ganhou força após a alta da inflação no pós-pandemia[1]. Em torno dessa ideia, campanhas vitoriosas foram construídas, como a do democrata Mamdani à prefeitura de Nova York[1]. Agora, analistas políticos brasileiros apontam que esse mesmo fator pode ser determinante na próxima eleição presidencial, moldando as estratégias de governo e oposição.
## DESENVOLVIMENTO
O termo “affordability” se refere à capacidade real das pessoas de custear bens e serviços do dia a dia[2]. Segundo Carlos Oliveira, professor de Ciência Política da UnB, trata-se do impacto direto do bolso na decisão eleitoral[2]. A máxima atribuída à campanha de Bill Clinton em 1992 resume bem o conceito: “É a economia, estúpido”[2].
Nos Estados Unidos, o conceito foi central em vitórias democratas recentes[2]. O analista da FGV Leonardo Paz explica que o choque inflacionário teve efeito mais intenso em países acostumados a índices baixos[2]. “Quando você pega uma inflação que chega a 8% ao ano, você sente, em dois anos seguidos. A pessoa sente que está conseguindo comprar menos”, afirma[2]. Em Nova York e Nova Jersey, campanhas vitoriosas apostaram em temas como aluguel, energia e serviços públicos[2].
No contexto brasileiro, o custo de vida pode favorecer tanto governo quanto oposição[2]. Se o custo de vida estiver baixo, “affordability” é um tema de quem busca reeleição[1]. Caso contrário, torna-se munição da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva[2]. Estudos sobre escolha do voto mostram que “o bolso do indivíduo” médio é o grande indutor do voto[1].
## ANÁLISE
Para o presidente Lula, o desafio é comunicar que o custo de vida está mais acessível do que em outras épocas, capitalizando votos para sua reeleição[1]. Caso contrário, “é um argumento certo para a oposição”[1]. Carlos Oliveira acrescenta que “a direita está na dianteira deste debate, porque apresenta soluções normalmente mais simples, de mais fácil compreensão”[1]. O impacto psicológico é automático: quando as pessoas se sentem desoladas por um custo de vida alto, normalmente colocam isso no radar, mesmo sem pensar demais[1].
## CONCLUSÃO
O conceito de “affordability” representa uma mudança no eixo dos debates eleitorais globais. Não se trata apenas de economia, mas de como as pessoas percebem sua qualidade de vida no dia a dia. Para as eleições de 2026 no Brasil, esse será um termômetro crucial: quem conseguir convencer o eleitor de que sua renda rende mais terá vantagem decisiva na campanha.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
**Affordability** refere-se à capacidade de custear bens e serviços essenciais, impulsionado pela inflação pós-pandemia, decisiva em vitórias democratas nos EUA (ex.: aluguel e energia em NY/NJ) e eleições europeias[1][2].
**Dados/estatísticas:** Inflação de 8% nos EUA em anos seguidos reduziu poder de compra; no Brasil, Quaest (nov/2025) mostra Lula com rejeição de 64% entre independentes (alta de 54% em out/2025), empatado com Tarcísio (30% vs. 28%) e atrás de Zema (31% vs. 42%); PIB brasileiro deve cair para 2% em 2026 (de 2,3% em 2025)[3][5].
**Perspectivas diferentes:** Governo Lula capitaliza se custo de vida baixar, comunicando acessibilidade; oposição (Bolsonaro) usa como munição, com soluções “simples” atraentes à classe média espremida pela inflação[1][2]. Tarifas de Trump (50% ao Brasil) podem agravar debate[4].
**Próximos passos:** Monitorar inflação pré-eleitoral