PF abre inquérito: influenciadores pagos atacam BC por Master
A Polícia Federal instaurou inquérito para examinar denúncias de influenciadores digitais contratados para criticar o Banco Central após a liquidação do Banco Master. As suspeitas apontam para uma campanha coordenada nas redes sociais, autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.[1][2][3]
Influenciadores de diversas áreas, incluindo entretenimento e finanças, relataram abordagens de empresas de marketing digital no final de 2025. Eles receberam propostas para produzir conteúdos questionando a decisão do BC de liquidar o banco em novembro de 2024, alegando precipitação e impacto em clientes comuns. Perfis com milhões de seguidores publicaram mensagens semelhantes entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, sob o possível nome de código ‘Projeto DV‘, em referência a Daniel Vorcaro, controlador do Master.[1][3][5]
Caso destacado: Vereador Rony Gabriel
Um caso destacado envolve o vereador Rony Gabriel, do PL, de Erechim (RS), que denunciou contatos de executivos ligados a Vorcaro. A proposta visava desacreditar a autarquia e defender o banco, com contratos estimados em até R$ 2 milhões e cláusulas de confidencialidade.[1]
Contexto do Banco Master
O Banco Master já enfrenta investigação no STF, sob relatoria de Toffoli, por suspeitas de fraudes em operações de venda ao BRB, banco do Distrito Federal. O BC interrompeu o negócio por identificar carteiras de crédito sem lastro real, com prejuízos estimados entre R$ 2,4 bilhões e R$ 4 bilhões. Vorcaro e diretores são alvos de operação policial desde novembro de 2024.[1]
A PF, por meio da Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, analisou postagens e elaborou relatório preliminar. O foco agora é verificar pagamentos, coordenação e possíveis crimes como obstrução de justiça ou ataques a instituições. Depoimentos e quebras de sigilo estão previstos.[2][3][6]
A defesa de Vorcaro nega envolvimento em disseminação de fake news ou campanhas difamatórias. Afirma que ele é vítima de ataques semelhantes e colabora com as autoridades, solicitando investigação sobre informações falsas contra si.[original]
Este inquérito específico, mantido sob sigilo, integra as apurações maiores no STF e pode revelar tentativas de pressão sobre o sistema financeiro.
Pontos-chave:
- A campanha coordenada contra o Banco Central pode minar a confiança pública em instituições reguladoras, dificultando a fiscalização do sistema financeiro e potencialmente encorajando práticas irregulares.
- Se confirmada a coordenação de influenciadores por interesses privados, o caso pode levar a novas regulações sobre marketing digital e responsabilidade de conteúdo nas redes sociais, além de impactar a reputação de figuras públicas envolvidas.
Cronologia dos eventos:
- 2023: Início de investigações sobre fraudes no Banco Master, com foco em operações de crédito.
- Novembro de 2024: Banco Central determina a liquidação do Banco Master por irregularidades.
- Novembro de 2024: Início de operação policial contra Daniel Vorcaro e diretores.
- Dezembro de 2024 a Janeiro de 2025: Publicações coordenadas de influenciadores digitais criticando o BC.
- Final de 2025: Influenciadores relatam abordagens para participar da campanha.
- 2025: Polícia Federal abre inquérito para investigar a campanha, autorizada pelo ministro Dias Toffoli.
Dados importantes:
- Prejuízo estimado com carteiras de crédito sem lastro: R$ 2,4 a 4 bilhões
- Valor estimado de contratos com influenciadores: R$ 2 milhões
- Período de publicações coordenadas: dezembro de 2024 a janeiro de 2025
- Data da liquidação do Banco Master pelo BC: novembro de 2024
Contexto histórico:
O Banco Master já estava sob escrutínio antes da liquidação em novembro de 2024. Desde pelo menos 2023, investigações apontavam irregularidades em operações financeiras, especialmente na venda de carteiras de crédito ao BRB, com suspeitas de fraudes que remontam a gestões anteriores. A intervenção do Banco Central segue uma tendência de maior rigor regulatório no setor financeiro brasileiro, como visto em casos anteriores de liquidação de instituições como o Banco Neon (2018) e o Banco Cruzeiro do Sul (2012), ambos por problemas de gestão e operações suspeitas. O uso de influenciadores digitais para campanhas de desinformação também não é inédito, lembrando episódios como a disseminação de fake news nas eleições de 2018, investigadas pelo STF no inquérito das fake news.