PF abre inquérito: influenciadores pagos atacam BC no caso Master
A Polícia Federal iniciou investigação sobre possível campanha coordenada nas redes sociais contra o Banco Central após a liquidação do Banco Master. Influenciadores relataram propostas financeiras para produzir conteúdos críticos à autarquia[1][2][3].
A apuração ganhou força com denúncias de produtores de conteúdo digitais, muitos alinhados à direita, que afirmaram ter sido contactados por representantes ligados a Daniel Vorcaro, controlador do banco liquidado em novembro de 2025. Um exemplo é o vereador Rony Gabriel, de Erechim (RS), pelo PL, que em entrevista ao O Globo descreveu abordagens de executivos para questionar a decisão do BC e abalar sua credibilidade[1][7].
O ministro Dias Toffoli, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o inquérito após relatório preliminar da PF analisar postagens suspeitas. A Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor) conduz as diligências, que incluem depoimentos, quebras de sigilo e exame de pelo menos 40 a 46 perfis em plataformas como Instagram, totalizando milhões de seguidores[3][5]. Conteúdos semelhantes sugerem coordenação, com narrativas sobre ‘liquidação precipitada’, prejuízos a clientes comuns e erros técnicos do BC[1][3][6].
Essa frente se conecta a outro inquérito no STF, sob relatoria de Toffoli, sobre fraudes financeiras no Master. O BC bloqueou a compra pelo BRB por suspeitas de carteiras de crédito sem lastro real, com prejuízos estimados entre R$ 2,4 bilhões e R$ 4 bilhões. Vorcaro e diretores já prestam depoimentos[1][7]. A PF busca provas de obstrução de justiça e ataques a instituições, possivelmente via ‘Projeto DV‘, referência às iniciais do banqueiro, com contratos de até R$ 2 milhões e cláusulas de confidencialidade[3][5][6].
A defesa de Vorcaro nega envolvimento em fake news ou difamação, afirmando que ele é vítima de campanha similar há meses. Eles colaboram com autoridades e pedem investigação sobre informações falsas contra o empresário.
Os investigadores pretendem mapear financiadores, agências de marketing e influenciadores que aceitaram as propostas, sob sigilo judicial[2][5]. O caso destaca riscos de manipulação digital em disputas financeiras e regulatórias.
Pontos-chave:
- A campanha contra o Banco Central pode minar a confiança pública no sistema financeiro brasileiro, afetando a estabilidade econômica em um momento de recuperação pós-crise.
- O uso de influenciadores pagos para atacar instituições públicas evidencia a necessidade de regulamentação mais rígida sobre publicidade digital e combate à desinformação.
Cronologia dos eventos:
- Novembro de 2025: Liquidação do Banco Master pelo Banco Central devido a suspeitas de fraudes em carteiras de crédito.
- Pós-liquidação: Denúncias de influenciadores sobre propostas financeiras para criticar o BC.
- Data recente (não especificada): Ministro Dias Toffoli autoriza inquérito no STF com base em relatório da PF.
- Em andamento: Investigação da PF com análise de 40 a 46 perfis digitais, depoimentos e quebras de sigilo.
Dados importantes:
- Prejuízo estimado no caso Banco Master: R$ 2,4 a 4 bilhões
- Número de perfis investigados nas redes sociais: 40 a 46 perfis
- Valor de contratos suspeitos para influenciadores: até R$ 2 milhões
- Data da liquidação do Banco Master: novembro de 2025
Contexto histórico:
O caso Banco Master não é isolado no cenário financeiro brasileiro. Nos últimos anos, o Banco Central intensificou a fiscalização sobre instituições financeiras após escândalos como o do Banco PanAmericano, em 2010, que revelou fraudes contábeis de R$ 4,3 bilhões. A liquidação de bancos menores por irregularidades, como o Banco Neon em 2018, também reflete uma tendência de maior rigor regulatório. Além disso, o uso de influenciadores digitais em campanhas de desinformação tem crescido desde as eleições de 2018, quando redes sociais foram amplamente utilizadas para disseminar narrativas políticas e econômicas, muitas vezes com financiamento oculto. O caso atual pode ser comparado a investigações anteriores do STF, como o inquérito das fake news, que desde 2019 apura redes de desinformação contra instituições democráticas.