# TRUMP USA A “LEI DA FORÇA” CONTRA A “FORÇA DA LEI”
## INTRODUÇÃO
A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela marca um ponto de inflexão na ordem internacional contemporânea. No início de janeiro de 2026, o presidente Donald Trump confirmou operações militares contra alvos na Venezuela, anunciando a captura de Nicolás Maduro e sinalizando planos de ocupação e administração do país[2][4]. Essa ação representa não apenas uma escalada geopolítica regional, mas um desafio frontal aos princípios que sustentaram a estabilidade internacional desde o pós-Segunda Guerra Mundial: a soberania estatal, a integridade territorial e o respeito ao direito internacional público.
## DESENVOLVIMENTO
A ordem internacional liberal, consolidada pela Carta das Nações Unidas, estabeleceu um compromisso histórico entre poder e norma jurídica. Após dois conflitos mundiais devastadores, a comunidade internacional reconheceu que a estabilidade não poderia depender exclusivamente do equilíbrio de forças, mas exigia um enquadramento legal capaz de limitar o recurso arbitrário à violência. O artigo 2(4) da Carta proíbe explicitamente o uso da força contra a integridade territorial de qualquer Estado[3].
A estratégia de Trump, porém, reposiciona essa lógica. Sob o pretexto de combater o narcotráfico, os EUA justificam militarmente suas ações como aplicação de uma “Doutrina Monroe” reinterpretada—ou “Doutrina Donroe”, como o presidente a denominou[2]. Trump declarou que os EUA administrarão a Venezuela “até que seja possível realizar uma transição segura, adequada e criteriosa” e que empresas petrolíferas americanas investirão bilhões na infraestrutura energética do país[2]. Essa abordagem transforma a intervenção militar numa ferramenta de controle geopolítico e apropriação de recursos naturais.
Os ataques incluíram operações navais no Caribe e Pacífico, onde forças americanas destruíram aproximadamente 20 embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico desde setembro de 2025, resultando em mais de 80 mortes[1]. A escalada culminou em ataques aéreos contra instalações militares em Caracas e outras regiões, com Trump indicando que a intervenção pode durar anos[4][5].
## ANÁLISE
A postura de Trump exemplifica o que teóricos das relações internacionais identificariam como um retorno ao realismo clássico: a primazia do interesse nacional e do poder sobre as normas institucionalizadas. Ao justificar a ocupação pela receita petrolífera e caracterizá-la como uma aplicação da Doutrina Monroe, Trump redefine a soberania hemisférica como subordinada aos interesses americanos. Essa abordagem enfraquece o multilateralismo ao demonstrar que Estados poderosos podem contornar o direito internacional quando seus interesses estratégicos o justificarem[3]. O “combate ao narcotráfico” funciona como legitimação legal dentro da jurisdição americana, mas materialmente constitui uma violação clara da integridade territorial venezuelana.
## CONCLUSÃO
A intervenção na Venezuela simboliza uma ruptura com a ordem liberal internacional construída no pós-1945. Trump prioriza a “lei da força”—o poder militar e econômico americano—sobre a “força da lei”—as normas e instituições multilaterais. Essa dinâmica estabelece um precedente preocupante: se potências podem unilateralmente reinterpretar o direito internacional para servir seus interesses, a estabilidade global fica refém de decisões políticas domésticas, não de princípios compartilhados.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
Trump prioriza a **Lei da Insurreição de 1807** para mobilizar tropas contra protestos em Minnesota, rotulando manifestantes como “insurgentes” que atacam agentes do ICE, contrastando com a ordem liberal pós-1945 de Morgenthau, Bull e Ikenberry, que enfatiza normas jurídicas sobre força bruta[1][2][7].
**Dados/estatísticas:** Orçamento militar proposto em US$ 1,5 trilhão, dobrando investimentos para “paz pela força”; emergências nacionais declaradas para controle de fronteiras e repressão urbana[2][3].
**Perspectivas diferentes:** Críticos veem risco à democracia, com grupos de direitos civis alertando para uso abusivo como polícia doméstica; aliados defendem como resposta a “emergência nacional” na imigração[1][3]. Analistas notam retórica confrontacional, mas limitada por resistências no Congresso e tribunais[4].
**Próximos passos:** Disputas judiciais prováveis se invocada, com estados resistindo; expansão de tarifas, sanções e tropas em cidades como LA e Memphis[2][4]. (148 palavras)