# Como os BRICS podem causar uma crise estrutural no sistema do dólar americano
## INTRODUÇÃO
O dólar americano enfrenta seu momento mais frágil em duas décadas. Pela primeira vez em 20 anos, a moeda representa menos de 40% das reservas monetárias mundiais[4], enquanto os bancos centrais globais acumulam ouro em ritmo acelerado. Neste cenário, os BRICS — Brasil, Rusia, Índia, China e África do Sul — preparam uma estratégia silenciosa mas contundente: construir um sistema financeiro paralelo que reduza drasticamente a dependência do dólar[3]. Não se trata apenas de lançar uma moeda comum, mas de criar um ambiente onde o dólar deixe de ser necessário para o comércio internacional.
## DESENVOLVIMENTO
Os BRICS estão acelerando o desenvolvimento de sistemas de pagamento digitais inovadores, com cronograma de implementação previsto para 2026-2027[5]. O plano opera em cinco etapas claras: financiamentos em moedas locais em vez de dólares, expansão do comércio bilateral sem intermediação americana, utilização de tecnologia blockchain para pagamentos transfronterizos que superam o SWIFT[5], e acúmulo estratégico de ouro pelos bancos centrais[4].
O renminbi chinês emerge como peça central desta estratégia. Apesar de sua participação global ter caído para 2,3%[2], a moeda chinesa já é a mais comercializada na Rusia e ganha espaço nos acordos comerciais brasileiros[2]. O sistema de pagamentos BRICS, já disponível em mais de 180 países com eixo na moeda chinesa[3], representa o verdadeiro golpe: um entorno financeiro paralelo onde transações ocorrem sem necessidade do dólar.
A congelação dos ativos russos após sua expulsão do SWIFT em 2022 funcionou como catalisador político[4]. Demonstrou aos bancos centrais mundiais que o sistema dolarizado pode ser weaponizado, acelerando a busca por alternativas. Simultaneamente, políticas comerciais impredecíveis criaram uma crise de confiança nos títulos do Tesouro americano, antes considerados “livres de risco”[1].
## ANÁLISE
Se a estratégia BRICS avançar conforme planejado, as consequências serão estruturais. Menos transações em dólares significam menor demanda pela moeda, reduzindo sua capacidade de financiar o déficit americano[1]. A queda na procura por títulos do Tesouro elevaria os custos de financiamento dos EUA em momento crítico[3]. O poder geopolítico americano, historicamente ancorado no dólar como moeda de reserva, seria profundamente abalado[3].
Porém, desafios persistem. O renminbi enfrenta questões de estabilidade e regulação[2], e países menores temem dominação chinesa[1]. Ainda assim, analistas avaliam que o impacto poderia ser significativo[1], especialmente considerando como os BRICS estão crescendo economicamente.
## CONCLUSÃO
Os BRICS não buscam derrotar o sistema dolarizado abruptamente, mas construir uma alternativa viável[4]. Com sistemas de pagamento operacionais, moedas digitais em desenvolvimento e bancos centrais acumulando ouro, o bloco está redefinindo correlações monetárias globais. Para 2026, espera-se que programas piloto comprovem a viabilidade desta nova arquitetura financeira, potencialmente marcando o início do declínio da hegemonia do dólar.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
**BRICS ameaçam o petrodólar via sistemas alternativos como BRICS Pay e moedas locais, reduzindo demanda pelo dólar em comércio e reservas.**[1][3][4]
**Dados:** Dólar <40% das reservas globais (mínimo em 20 anos); ouro supera euro+iene+libra; renminbi caiu para 2,3% no comércio global.[2][4][5] BRICS testam CBDCs e blockchain vs. SWIFT.[5] **Perspectivas:** Otimistas veem "ataque estrutural" com empréstimos em yuan e expansão a 180 países em 2026, erodindo hegemonia.[1][3] Críticos (Atlantic Council) destacam fracassos: sem impacto curto prazo, desafios regulatórios e domínio dólar (58% reservas).[2][5] **Próximos passos:** Lançamento BRICS Pay/ moeda digital em 2026-2027; pilots CBDCs; mais ouro e acordos bilaterais (ex: Rússia-China, Brasil-yuan).[3][4][5] Risco: sanções ocidentais.[4] (148 palavras)