# TRUMP USA A “LEI DA FORÇA” CONTRA A “FORÇA DA LEI”
## INTRODUÇÃO
A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, iniciada em 3 de janeiro de 2026, marca um ponto de inflexão na política externa americana: o abandono deliberado das normas internacionais em favor do exercício unilateral do poder. Ao ordenar ataques que resultaram na captura de Nicolás Maduro e na ocupação de facto do país, o presidente Trump não apenas desafiou a Carta das Nações Unidas, mas também sinalizou o fim de um compromisso histórico que sustentou a ordem liberal internacional desde 1945. A operação, batizada como “Operação Resolução Absoluta”, representa a materialização da chamada “Doutrina Donroe” — uma apropriação unilateral do princípio da Doutrina Monroe que Trump redefine como direito exclusivo dos EUA de controlar o hemisfério ocidental, sem questionamentos.
## DESENVOLVIMENTO
Desde o pós-Segunda Guerra Mundial, a ordem internacional repousa sobre um pacto entre potências: aceitar limitações legais ao uso da força em troca de estabilidade previsível. Instituições como a ONU, o direito internacional público e o multilateralismo institucionalizaram princípios de soberania e integridade territorial precisamente para evitar que o poder bruto determinasse as relações entre nações[2]. Trump, contudo, rejeita explicitamente esse enquadramento. Em coletiva de imprensa, declarou que os EUA “administrarão” a Venezuela até uma “transição adequada” e que empresas petrolíferas americanas “entrarão, investirão bilhões e consertarão a infraestrutura”[1]. A ocupação, afirmou, não custaria nada aos americanos — seria compensada pelas receitas do petróleo venezuelano[1].
A operação revela a lógica subjacente: a securitização dos recursos naturais como justificativa para intervenção. Trump invoca o combate ao tráfico de drogas como fundamento legal, mas o objetivo declarado é o controle das reservas petrolíferas[2]. Ao sequestrar Maduro e sua esposa via operação militar, os EUA violam frontalmente o artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial de qualquer Estado[2]. A intermediária Delcy Rodríguez foi informada, conforme Trump, que “não tem escolha” — uma confissão de coerção que transforma a Venezuela numa colônia de facto americana.
## ANÁLISE
Este é o imperialismo do século XXI: não requer ocupação territorial permanente, mas controle de recursos e submissão política mediante ameaça militar. Trump consolida “uma rede de submissão na América Latina que empodera a extrema direita”[2], sinalizando que a “dominância americana no hemisfério ocidental nunca mais será questionada”[1]. A estratégia híbrida — manter um governo títere enquanto os EUA controlam petróleo e segurança — evita o desgaste de mudança de regime total, mas exige captura das reservas como “resgate”[2]. O precedente é perigoso: ao abandonar a “força da lei”, Trump autoriza outros poderes a fazer o mesmo, acelerando um mundo onde apenas a capacidade militar determina direitos e recursos.
## CONCLUSÃO
A intervenção na Venezuela não é um episódio isolado, mas a inauguração de uma nova doutrina: o retorno à “lei da força” como princípio ordenador das relações internacionais. Ao priorizar interesses unilaterais sobre instituições multilaterais, Trump não apenas enfraquece a ordem liberal internacional — ele a abandona. As consequências transcendem a Venezuela: legitimam invasões, justificam a apropriação de recursos alheios e transformam a soberania num luxo reservado aos poderosos. O século XXI começa, assim, sob o signo de um novo imperialismo.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
# Trump e a Lei da Força contra a Força da Lei
**Contexto atual:** Trump ameaça invocar a Lei da Insurreição de 1807 para mobilizar tropas militares contra protestos anti-ICE em Minnesota, exemplificando a tensão entre poder executivo e constrangimentos legais[1][2].
**Dados relevantes:**
– A Lei da Insurreição concede ao presidente autoridade ampla para usar Forças Armadas em operações domésticas com “poucas orientações específicas”[3]
– Trump já declarou emergências nacionais para impor tarifas, medidas migratórias e mobilizar tropas em Washington, Los Angeles e Memphis[3]
– Seu governo propõe duplicar o orçamento militar para US$ 1,5 trilhão[4]
**Perspectivas divergentes:**
– **Posição de Trump:** “Minha própria moralidade” e não necessita de leis internacionais para decidir limites à autoridade presidencial[4]
– **Crítica de direitos civis:** A lei concede poder presidencial excessivo, contrário à intenção dos fundadores americanos[2]
– **Resistência legislativa:** O Senado avanç