## INTRODUÇÃO
Promessa central da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, a reforma do Imposto de Renda entra em vigor nesta quinta-feira (1º), redesenhando quem paga – e quanto paga – IR no Brasil.[3][9] Com a nova lei, sancionada em novembro após aprovação unânime no Congresso, contribuintes que ganham até **R$ 5 mil por mês** passam a ser totalmente isentos, enquanto faixas intermediárias têm descontos e os mais ricos enfrentarão aumento de alíquota.[3][7][9] A medida, apresentada pelo governo como um passo decisivo rumo à justiça tributária, deve aliviar o bolso de mais de 15 milhões de brasileiros e reposicionar o papel do IR na redução das desigualdades de renda.[3][2]
## DESENVOLVIMENTO
A nova regra amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda de quem ganhava até dois salários mínimos para todos os que recebem até R$ 5 mil mensais.[1][3][4][9] Segundo o governo, cerca de 10 milhões de pessoas deixarão de pagar o tributo e outros 5 milhões passarão a pagar menos, graças a descontos para rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350.[3][7] A mudança consolida, em lei permanente, a política de correção da tabela e de proteção dos menores rendimentos.[6]
Para viabilizar a renúncia fiscal, o texto aprovado prevê aumento da taxação sobre altas rendas.[2][3][5] Quem recebe acima de R$ 600 mil por ano – cerca de R$ 50 mil mensais – passa a pagar uma alíquota extra progressiva de até 10%, atingindo aproximadamente 140 mil contribuintes, ou 0,13% do total.[3][2] A lei também cria tributação sobre lucros e dividendos remetidos ao exterior, com alíquota de 10%, e se soma ao chamado “imposto mínimo” sobre altas rendas já implementado pelo governo.[3][5]
No plano político, o Palácio do Planalto exibe a reforma como cumprimento de promessa e marco de seu programa econômico.[1][2][3] Lula reiterou o compromisso de manter a isenção em R$ 5 mil até o fim do mandato e defendeu que “o andar de cima” financie o alívio tributário dos mais pobres.[1][3][2] No Congresso, a aprovação unânime foi interpretada como raro consenso em torno de uma mudança estrutural no IR, após anos de pressão por correções na tabela.[3][6]
## ANÁLISE
A reforma do IR desloca o centro de gravidade do sistema, reduzindo o peso do imposto sobre o trabalho de baixa renda e aumentando a carga sobre o topo da pirâmide.[2][3][9] Na prática, amplia a renda disponível de milhões de famílias que destinam quase tudo ao consumo básico, com potencial de estímulo à economia e impacto direto na redução da pobreza.[3][2] Ao tributar mais altas rendas, lucros e dividendos, o governo busca corrigir distorções de um modelo que historicamente penalizou salários e poupou rendimentos de capital.[2][3][5] Especialistas, porém, lembram que o efeito distributivo dependerá da estabilidade da regra, do controle sobre brechas de planejamento tributário e da coordenação com a reforma mais ampla do sistema de tributos sobre consumo.[5][8]
## CONCLUSÃO
Com a nova faixa de isenção, o Imposto de Renda passa a pesar menos no orçamento de quem ganha até R$ 5 mil e mais no topo da pirâmide, alinhando o discurso do governo de “fazer o rico pagar mais” à prática legislativa.[2][3][9] A medida reposiciona o IR como instrumento de combate às desigualdades e inaugura uma fase em que a pressão política poderá se deslocar da correção da tabela para o aperfeiçoamento da tributação sobre grandes rendas e patrimônios.[2][3][5] O desafio, a partir de agora, será manter a sustentabilidade fiscal e evitar recuos diante da resistência dos segmentos mais afetados.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
# Reforma do Imposto de Renda – Informações Complementares
## Dados e Estatísticas
A reforma amplia a isenção de R$ 2.824 para **R$ 5 mil mensais**, beneficiando aproximadamente **15 milhões de brasileiros**: 10 milhões totalmente isentos e 5 milhões com redução tributária[1]. Pessoas que ganham entre R$ 5 mil e R$ 7.350 também recebem descontos[2].
Para compensar a perda de arrecadação (R$ 35-45 bilhões), o governo aumenta a taxação de rendas acima de R$ 600 mil anuais com alíquota progressiva de até 10%, atingindo cerca de **140 mil contribuintes de alta renda**[1].
## Perspectivas Diferentes
**Governo**: Afirma que a medida não impacta as contas públicas e aumentará o consumo das famílias, reduzindo endividamento[2]. Segundo especialistas, tem potencial redistributivo e impactará positivamente o crescimento econômico[2].
**Críticos**: Argumentam que o Brasil se distancia de países desenvolvidos ao reduzir contribuintes