## INTRODUÇÃO
Pressionado por denúncias de movimentações financeiras atípicas, alvo de inquérito policial e sob risco de impeachment, o presidente do São Paulo, Julio Casares, saiu aliviado da reunião do Conselho Consultivo, formada por ex-presidentes do clube.[1][4] Do lado de fora, o clima era de revolta: poucos torcedores, mas barulhentos, protestaram e um deles chegou a desferir um tapa no vidro do carro de luxo que levava o dirigente.[4] Dentro do prédio, porém, o cenário foi outro: a maior parte dos conselheiros decidiu não recomendar o impeachment nem a renúncia de Casares, numa espécie de blindagem institucional em meio à maior crise política recente do Tricolor.[2][4]
## DESENVOLVIMENTO
O encontro, realizado em um prédio na zona oeste de São Paulo, reuniu nove dos 12 integrantes do Conselho Consultivo, órgão composto por ex-presidentes do clube e do Conselho Deliberativo.[4] Após ouvir a defesa de Casares, que prometeu apresentar documentos e dados fiscais para comprovar sua inocência nas investigações sobre depósitos em espécie de R$ 1,5 milhão e saques de R$ 11 milhões dos cofres tricolores, a maioria optou por não apoiar o pedido de destituição.[1][3][4] O relatório do Coaf aponta fracionamento de depósitos na conta pessoal do presidente, prática associada à tentativa de burlar mecanismos de controle.[1][3]
Dos presentes, apenas o conselheiro José Carlos Ferreira Alves divergiu e declarou ver “prova material” para a destituição, citando inclusive gestão temerária.[4] Em contraponto, ex-presidentes influentes – como Carlos Miguel Aidar e Leco – atuaram para blindar Casares, defendendo que “problemas do São Paulo se resolvem no São Paulo” e assegurando que a situação tem votos suficientes para barrar o impeachment no Conselho Deliberativo.[2][3] Aidar, que renunciou no passado, chegou a dizer ao atual mandatário que se arrepende de ter cedido à pressão, reforçando o discurso de resistência interna.[2]
Apesar da manifestação do Conselho Consultivo, o processo segue seu curso formal: o Conselho Deliberativo marcou para o dia 14 a votação do impeachment, em que 255 conselheiros decidirão, em voto secreto, se afastam preventivamente ou não o presidente.[3]
## ANÁLISE
A decisão dos ex-presidentes de não recomendar o impeachment representa um recado claro: a cúpula histórica do São Paulo optou por preservar a atual gestão, mesmo diante de forte desgaste público.[2][4] O discurso de “lavar a roupa suja em casa” aponta para uma cultura de autodefesa do grupo político dirigente, priorizando estabilidade interna e controle do processo sobre a transparência perante torcida e opinião pública. Ao mesmo tempo, a divisão registrada por ao menos um conselheiro e o protesto de torcedores mostram que a blindagem não encerra a crise – apenas desloca o embate para o Conselho Deliberativo, onde o tamanho real da base de apoio de Casares será medido voto a voto.[3][4]
## CONCLUSÃO
A reunião que poderia encaminhar a queda de Julio Casares terminou, por ora, fortalecendo o presidente e revelando a força dos ex-mandatários na sustentação política do comando tricolor.[2][4] Porém, com investigações do Coaf e da Polícia Civil em andamento e uma votação de impeachment já agendada, o São Paulo entra em um período de tensão prolongada, em que cada novo fato pode alterar o humor dos conselheiros e da torcida.[1][3] O futuro de Casares – e a forma como o clube lida com denúncias graves – será decisivo para a imagem institucional do São Paulo nos próximos anos.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
A frase dos ex-presidentes reforça a ideia de que a crise de **Julio Casares** deve ser resolvida internamente, sem intervenção externa ou judicial, preservando a “autonomia” política do São Paulo.
**Dados relevantes**
– O impeachment será votado em **14 de janeiro**, por até **255 conselheiros**, exigindo cerca de **2/3 dos votos (170–171)** para afastá-lo.[1][2][3]
– Em caso de aprovação, o vice **Harry Massis Jr., 80 anos**, assume interinamente até decisão dos sócios em Assembleia Geral.[1][3]
**Perspectivas**
– Aliados alegam que as acusações são politizadas e que o clube se fortaleceu esportivamente e em receitas na gestão Casares.[5]
– Oposição e parte da torcida veem esquema de má gestão, movimentações financeiras suspeitas e danos à imagem institucional.[2][5]
**Próximos passos**
– Votação do Conselho; se aprovado, convocação de Assembleia em até **30 dias**.[1][3]
– Possível reorganização política e antecipação da disputa pela pre