## INTRODUÇÃO
A compra da startup de inteligência artificial **Manus** pela **Meta**, avaliada em cerca de **US$ 2 bilhões** (cerca de **R$ 10,7 bilhões**), passou a ser examinada por órgãos regulatórios da China por possível violação às regras de controle de exportação de tecnologia e de segurança nacional. Citando fontes familiarizadas com o tema, o *Financial Times* informou que o **Ministério do Comércio chinês** abriu uma revisão inicial para avaliar se a transferência de funcionários e tecnologia da Manus para Singapura, seguida da venda para a empresa de **Mark Zuckerberg**, exigiria uma licença de exportação sob a legislação chinesa.[3] A operação, anunciada no fim de dezembro, é um caso raro em que uma big tech dos Estados Unidos adquire uma startup de IA de ponta com raízes chinesas, em meio ao acirramento da disputa tecnológica entre Washington e Pequim.[1][3]
## DESENVOLVIMENTO
De acordo com o *Financial Times*, autoridades de Pequim estão analisando se a transferência de tecnologia e de equipes da Manus para Singapura, e sua subsequente venda à Meta, deveria ter sido previamente autorizada por meio de uma licença de exportação, como exigem as regras chinesas para tecnologias consideradas sensíveis.[3] A revisão está em estágio inicial e ainda pode nem evoluir para uma investigação formal, mas, se o negócio for enquadrado nessa categoria, Pequim ganha margem para impor condições ou até barrar a transação em último caso.[3][4]
A Manus hoje é operada pela **Butterfly Effect Pte**, sediada em Singapura, mas parte da tecnologia por trás de sua plataforma de IA foi desenvolvida por uma empresa “irmã” registrada em Pequim.[3] A mudança da sede para o país asiático ocorreu após uma rodada de financiamento liderada pela norte‑americana Benchmark, movimento que já havia colocado a companhia no radar de reguladores dos EUA, em meio às restrições a investimentos americanos em IA chinesa.[1] O Ministério do Comércio da China confirmou que “vai avaliar e investigar” o enquadramento legal da operação, destacando que empresas envolvidas em exportação de tecnologia, transferência de dados ao exterior e fusões e aquisições devem seguir rigorosamente a legislação local.[2][4]
Em comentários públicos, o acadêmico **Cui Fan**, da Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Pequim, afirmou que as autoridades precisam verificar se os programadores da Manus desenvolveram tecnologia sujeita a controle enquanto ainda atuavam na China.[1][4] Segundo analistas ouvidos pela mídia local, o governo chinês vem apertando a vigilância sobre empresas que transferem operações para fora do país – como Singapura – em busca de um ambiente regulatório mais brando, repetindo estratégias adotadas por grupos como a varejista Shein.[1][4]
## ANÁLISE
A revisão chinesa insere a compra da Manus pela Meta no centro da disputa geopolítica pela liderança em **inteligência artificial**. Ao submeter o negócio a um crivo de segurança tecnológica, Pequim sinaliza que pretende manter controle sobre o destino de capacidades avançadas de IA desenvolvidas em seu território, mesmo quando startups migram formalmente para outras jurisdições.[3][4] Uma eventual exigência de licença de exportação daria ao governo chinês um instrumento direto de influência sobre uma transação estratégica para a Meta, que planeja integrar o software da Manus a seus produtos.[3]
O caso ecoa precedentes como o uso de regras de exportação para travar tentativas de venda forçada do TikTok a grupos americanos, durante o governo Donald Trump, e reforça a tendência de “bifurcação” tecnológica entre Estados Unidos e China.[4] Ainda assim, fontes próximas ao processo apontam que o assistente de IA da Manus não é visto, hoje, como “tecnologia vital”, o que reduz, mas não elimina, o risco de bloqueio.[4]
## CONCLUSÃO
A decisão de Pequim sobre a aquisição da Manus pela Meta vai além de um negócio bilionário: servirá como teste para os limites do controle chinês sobre tecnologias de IA com raízes no país, mas operadas a partir de centros como Singapura.[1][3][4] Se a China optar por exigir licença de exportação ou impor condições, o processo poderá atrasar ou redesenhar os planos da Meta para reforçar sua infraestrutura de IA.[3] Caso a revisão seja concluída sem entraves relevantes, o recado ainda assim estará dado ao mercado: aquisições envolvendo tecnologia avançada de origem chinesa dificilmente escaparão do radar regulatório de Pequim.[1][4]
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
## Informações Complementares
**Avaliação do Negócio:** A aquisição é avaliada entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões[2], com a Manus atualmente sediada em Singapura[3].
**Contexto da Investigação:** China suspeita que a mudança de sede para Singapura foi uma estratégia para contornar regulações chinesas, prática também adotada por outras empresas como a Shein[1]. O Ministério do Comércio chinês anunciará se a operação violou controles de exportação de tecnologias sensíveis[1].
**Perspectivas Divergentes:**
– Especialistas chineses, como Cui Fan (Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Pequim), argumentam que a investigação deve verificar se a Manus desenvolveu tecnologias controladas enquanto operava na China[1][3].
– Analistas ocidentais, como Chris McGuire do Council on Foreign Relations, veem o caso como reflexo da “fratura tecnológica entre China e EUA”, indicando a maior atratividade do ecossistema norte-americano[1].
**Próximos