## INTRODUÇÃO
Em meio às articulações para marcar os três anos dos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes, assessores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconselharam o petista a não anunciar, no próprio ato comemorativo, o veto ao projeto de lei da dosimetria das penas dos condenados pelos atos golpistas. A avaliação no Planalto é que a medida, embora vista internamente como necessária para preservar a responsabilização pelos ataques à democracia, poderia “contaminar” uma agenda pensada para exaltar a defesa das instituições, reacendendo tensões com o Congresso Nacional e ofuscando o tom simbólico e conciliador que o governo pretende dar à cerimônia.
## DESENVOLVIMENTO
O chamado **PL da Dosimetria** foi aprovado no fim do ano passado pela Câmara e pelo Senado, com o objetivo de reduzir penas impostas a condenados pelos atos de 8 de janeiro e por outros crimes ligados à tentativa de golpe de Estado.[1][4] A proposta abre brecha para beneficiar inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes do núcleo considerado central na trama golpista.[1][4] Desde a tramitação, Lula vinha sinalizando que não sancionaria medidas vistas por ele e por sua equipe como formas de abrandar crimes contra o Estado Democrático de Direito.[1][4][5]
Dentro do Palácio do Planalto, entretanto, ganhou força a leitura de que o ato de 8/1 deveria ser preservado como um marco político e simbólico, voltado à memória dos ataques e à defesa da democracia, e não transformado em palco de enfrentamento direto com o Congresso. Assessores argumentam que anunciar ali o veto à dosimetria poderia acirrar ânimos com as lideranças da Câmara e do Senado, que se empenharam na aprovação do texto.[4][7] O temor é que a reação parlamentar se traduza em tentativa coordenada de derrubar o veto ou de impor derrotas ao governo em outras pautas sensíveis.[5][6][7]
Nesse cálculo, auxiliares defendem que a mensagem de Lula no ato foque no reforço ao papel das instituições – em especial do Supremo Tribunal Federal, responsável pelas condenações – e na narrativa de que não haverá recuo na responsabilização dos envolvidos em atos antidemocráticos, sem, porém, transformar a cerimônia em resposta direta ao Congresso.[2][3][4] A estratégia, para esse grupo, é separar o gesto institucional de memória do 8/1 da disputa política em torno do projeto, deixando a formalização e a comunicação do veto para outro momento, em ambiente mais controlado e menos simbólico.
## ANÁLISE
O aconselhamento a Lula revela o ponto de tensão central do governo neste momento: como manter um discurso firme em defesa da democracia sem ampliar o desgaste com um Congresso fragmentado e sensível a temas ligados ao 8/1. Ao evitar anunciar o veto no próprio ato, o Planalto busca reduzir o risco de transformar uma data de alta carga simbólica em gatilho de nova crise institucional. Ao mesmo tempo, a pressão de parlamentares que defendem a dosimetria e já cogitam derrubar o veto indica que a disputa sobre o alcance das punições pelos atos golpistas está longe de se encerrar.[5][6][7][8] A forma e o momento da decisão tendem a pesar tanto quanto o conteúdo do veto nas próximas rodadas de negociação política.
## CONCLUSÃO
Ao ser aconselhado a não usar o palanque do 8/1 para anunciar o veto à dosimetria, Lula é instado por sua equipe a privilegiar a construção de uma narrativa positiva sobre a defesa da democracia e a evitar novo choque frontal com o Congresso em pleno início de ano legislativo. A decisão final sobre o timing e o formato do anúncio terá impacto direto na temperatura da relação entre Executivo e Legislativo e na capacidade do governo de preservar, ao mesmo tempo, a simbologia do 8 de janeiro e sua base política no Parlamento.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
**O veto foi anunciado apesar dos conselhos**
Contrariamente aos avisos de assessores, Lula **anunciou integralmente o veto** ao PL da Dosimetria durante cerimônia no Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro, marcando os três anos dos ataques de 2023[1][2].
**Perspectivas conflitantes:**
A oposição rejeita a decisão. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que o veto será derrubado no Congresso, argumentando que representa “ódio” do governo contra conservadores[4]. Já o governo defende a manutenção do veto, com o líder Randolfe Rodrigues destacando que cabe ao Congresso avaliar a medida[6].
**Próximos passos:**
Para derrubar o veto, são necessários 257 votos de deputados e 41 de senadores[1]. O senador Esperidião Amin (PP-SC), relator da Dosimetria, protocolou imediatamente um novo projeto de anistia, visando “pacificar o país”[7].