## INTRODUÇÃO
Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram a **Operação Determinação Absoluta** contra a Venezuela, capturando o presidente Nicolás Maduro e sua esposa. O ataque aéreo a Caracas e outras regiões do país marca um ponto de inflexão na política externa americana: pela primeira time desde a Guerra Fria, Washington executa uma intervenção militar direta sem autorização do Conselho de Segurança da ONU ou do Congresso americano[5]. O presidente Donald Trump justificou a ação invocando a Doutrina Monroe, a histórica política de 1823 que estabeleceu a América Latina como esfera de influência americana[1]. Mas a versão Trump dessa doutrina — chamada de “Donroe” ou “Trump Corollary” por analistas — revela uma ambição mais explícita: não apenas afastar influências externas, mas garantir o controle direto sobre recursos estratégicos da região[4].
## DESENVOLVIMENTO
A Doutrina Monroe foi originalmente concebida para impedir a colonização europeia nas Américas[1]. Durante a Guerra Fria, presidentes como John F. Kennedy a reinterpretaram para combater a influência soviética, como ocorreu na crise dos mísseis cubanos[1]. Agora, Trump a ressignifica para uma era de confronto com a China e de busca por hegemonia econômica. Segundo Victoria Murillo, diretora do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Columbia, “não há outra justificação para essa intervenção, é imperialismo à moda antiga no sentido econômico”[2].
Os números revelam as apostas em jogo. A China investiu aproximadamente US$ 67 bilhões na Venezuela desde 2007, principalmente no setor energético, controlando cerca de 90% das exportações de petróleo venezuelanas até o final de 2025[2]. Em agosto de 2025, poucos meses antes do ataque americano, uma empresa chinesa assinou um acordo de US$ 1 bilhão com duração de 20 anos para desenvolver campos petrolíferos venezuelanos[2]. Trump deixou claro seu plano: as gigantes de petróleo americano controlarão a infraestrutura petrolífera do país, que detém as maiores reservas mundiais, enquanto os EUA “administrarão” a Venezuela e usarão as receitas petrolíferas para “pagar a operação militar e reconstruir o país”[2][4].
As acusações contra Maduro — dirigir um “narcoestado” e roubo de petróleo americano — servem como justificativa retórica[1]. Mas analistas apontam que a Venezuela tem pouco envolvimento no tráfico de cocaína para os EUA[3]. O que há é petróleo, pronto para ser explorado por corporações americanas sob a nova doutrina Trump[3]. A operação não restaurou a democracia: a vice-presidente Delcy Rodríguez permanece no comando, e Trump descartou entregar o poder ao grupo opositor de María Corina Machado[2][6].
## ANÁLISE
A intervenção na Venezuela inaugura uma **nova fase imperialista** na América Latina, onde Washington abandona os limites do direito internacional e do multilateralismo para impor uma lógica de poder baseada na força bruta[5]. Trump sinalizou que essa operação não é isolada: ameaçou também o governo de esquerda da Colômbia e a ditadura cubana, sugerindo uma estratégia mais ampla para o continente[5]. O precedente é perigoso. Ao justificar intervenções com base em falhas internas de outros países, os EUA reforçam sua influência mas fragilizam normas internacionais já desgastadas[6]. A reinterpretação da Doutrina Monroe revela que, para Trump, a soberania nacional é secundária quando confronta interesses americanos de segurança e acumulação de capital[4].
## CONCLUSÃO
A captura de Maduro não representa vitória da democracia, mas consolidação de um modelo neocolonial onde recursos estratégicos são extraídos sob justificativas geopolíticas. A “Donroe” redefine o papel de Washington: não mais árbitro de normas internacionais, mas potência que impõe sua vontade pela força. Os próximos meses revelarão se outros países latino-americanos aceitarão essa nova ordem ou se resistirão, redefinindo o equilíbrio de poder no continente.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
A recente ofensiva dos **EUA contra a Venezuela**, culminando na captura de Nicolás Maduro em Caracas, recoloca a **Doutrina Monroe** em chave abertamente militar e neocolonial.[1][3]
1. **Dados/estatísticas**
– A crise já havia provocado o deslocamento de cerca de **7,9 milhões de venezuelanos**, majoritariamente para países da América Latina e Caribe.[2]
– Após os ataques, foi decretado **estado de emergência**, com restrições a circulação, reunião e protesto.[2]
2. **Perspectivas diferentes**
– Governo dos EUA justifica a ação como combate ao “narcoterrorismo” e à ditadura, apresentando a captura de Maduro como libertação democrática.[1][3]
– A **ONU** e diversos países no Conselho de Segurança denunciam violação da soberania e risco de agravamento das violações de direitos humanos.[2][5]
– Setores oposicionistas venezuelanos veem oportunidade de transição, enquanto críticos regionais leem o episódio como retomada da lógica de “quintal” dos EUA.[3][4]
3. **Pr