## INTRODUÇÃO
A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, culminando na captura de Nicolás Maduro sob a chamada “Doutrina Don-roe” de Donald Trump, recoloca a América Latina no epicentro de uma disputa imperial aberta.[3][4] Amparado em uma releitura agressiva da Doutrina Monroe, o governo Trump assumiu publicamente o objetivo de “administrar” o país e reorganizar seu Estado, tendo o petróleo como ativo central a ser controlado por corporações norte-americanas.[2][4] O episódio marca um giro neocolonial no continente: a derrubada de um presidente soberano, sem aval da ONU e à margem do direito internacional, sinaliza que Washington pretende redesenhar à força a geopolítica regional, rebaixando a região à condição de zona de segurança e de extração de recursos sob comando direto dos EUA.[4][5]
## DESENVOLVIMENTO
A operação militar, batizada de “Determinação Absoluta”, atingiu Caracas e outras regiões nas primeiras horas da madrugada, resultando na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.[3] Dias depois, Trump anunciou, em rede mundial, que os EUA iriam administrar a reconstrução venezuelana usando diretamente as receitas do petróleo para pagar a própria intervenção.[4] O discurso retomou, de forma explícita, a Doutrina Monroe – formulada em 1823 para impedir a influência europeia nas Américas, mas historicamente convertida em instrumento para justificar golpes, invasões e operações clandestinas na região.[1][5]
Analistas apontam que a “Doutrina Don-roe” combina linguagem corporativa e poder militar, transformando a Venezuela em laboratório de um imperialismo abertamente transacional.[2][4] Segundo Victoria Murillo, da Universidade Columbia, a intervenção só se explica como oportunidade para empresas americanas capturarem as maiores reservas de petróleo do mundo, num contexto em que a China já havia investido dezenas de bilhões de dólares no setor energético venezuelano.[2] Ao intervir sem autorização do Conselho de Segurança da ONU nem do próprio Congresso dos EUA, Trump rompeu os limites do multilateralismo e do direito internacional, recolocando a América Latina sob lógica de “esfera de influência” regida pela força.[4][5]
A reação internacional foi imediata. Cuba classificou o ataque como “agressão imperialista e fascista” destinada a restaurar ambições hegemônicas dos EUA e garantir acesso irrestrito a riquezas naturais da Venezuela e da região.[3] Rússia e China denunciaram a operação como violação flagrante da soberania venezuelana, enquanto governos latino-americanos divididos entre o rechaço ao chavismo e o temor de um precedente intervencionista observaram com cautela a nova doutrina.[1][5] Mesmo internamente, Trump arrisca contrariar setores de sua base “America First”, historicamente avessos a aventuras militares externas, ainda que o uso do petróleo como “pagamento” da guerra busque apresentar a operação como negócio lucrativo para o país.[1][4]
## ANÁLISE
O ataque à Venezuela é mais do que uma mudança de governo: é um ensaio de reconfiguração da ordem hemisférica sob comando direto dos EUA.[4][5] Ao combinar sanções, bloqueio naval e intervenção militar para remover um presidente e assumir, de fato, o controle de recursos estratégicos, Washington envia um recado claro a todo o continente: fronteiras políticas podem ser relativizadas quando colidirem com interesses energéticos e de segurança definidos pela Casa Branca.[4] A operação testa os limites do direito internacional, aprofunda a crise venezuelana e reabre memórias dolorosas de intervenções anteriores, da Guatemala ao Chile, agora sob uma versão mais explícita de imperialismo econômico.[1][5] Nesse cenário, a disputa por influência sobre a Venezuela – entre EUA, China e Rússia – antecipa uma nova fase de confrontos geopolíticos na América Latina, com impactos ainda imprevisíveis.
## CONCLUSÃO
A guerra contra a Venezuela inaugura uma era em que a Doutrina Monroe retorna, atualizada por Trump, como ferramenta direta de dominação política e econômica no continente.[1][4][5] A captura de Maduro não garante estabilidade interna nem resolve a crise social, mas consolida um precedente em que a força se sobrepõe à soberania. Entre o cerco imperial e as disputas internas venezuelanas, a América Latina volta a ser tratada como tabuleiro e não como sujeito de seu destino – e as próximas respostas regionais dirão se essa “nova velha” ordem se consolidará ou encontrará barreiras.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
A operação militar dos EUA que capturou **Nicolás Maduro** em Caracas representa uma escalada sem precedentes na aplicação contemporânea da Doutrina Monroe, agora reatualizada sob Trump como projeto de **reordenação forçada** da geopolítica hemisférica.[1][3]
1. **Dados/estatísticas**
– A ONU registra cerca de **7,9 milhões** de venezuelanos deslocados para o exterior, majoritariamente na América Latina e Caribe, configurando uma das maiores crises migratórias do mundo.[2]
– O ataque incluiu bombardeios em **Caracas, Miranda, Aragua e La Guaira**, com militares norte‑americanos feridos.[3][1]
2. **Perspectivas diferentes**
– **Washington** justifica a ação como combate ao “narcoterrorismo” e à ditadura de Maduro.[1][3]
– A **ONU** denuncia violação da soberania e alerta para agravamento dos direitos humanos.[2]
– No próprio **Congresso dos EUA**, uma resolução do Senado tenta limitar novos ataques, apontando risco de “guerra prolongada”.[1]
3. **Próximos passos / desdobramen