## INTRODUÇÃO
O governo Lula 3 encerra 2025 em um cenário paradoxal: enquanto acumula resultados econômicos e sociais expressivos, enfrenta desafios políticos significativos que limitam a aprovação popular. Com inflação controlada em 4,4%, desemprego no menor patamar em dez anos e redução histórica da pobreza, o governo apresenta números que deveriam consolidar sua popularidade[2]. No entanto, essa performance não se traduz em adesão ampla, revelando uma desconexão entre indicadores macroeconômicos e percepção pública que marca a trajetória do terceiro mandato presidencial.
## DESENVOLVIMENTO
Os avanços são substanciais. A renda média do trabalhador cresceu quase 10% em termos reais, enquanto a população vivendo abaixo da linha da pobreza caiu de 27,3% em 2023 para 23,1% em 2024, o menor patamar da série histórica do IBGE[2]. O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU, consolidando políticas públicas robustas como a reestruturação do Bolsa Família, o relançamento do Minha Casa Minha Vida e investimentos em transição ecológica[2]. Internacionalmente, o país recuperou protagonismo com a liderança do G20 em 2024 e a reaproximação com BRICS e União Europeia[2].
Apesar disso, o governo enfrenta críticas na gestão fiscal. O déficit nominal deve se consolidar em cerca de 9% do PIB, o maior desde o Plano Real[3]. O governo projeta R$ 147,7 bilhões em exceções aos limites de gastos públicos para 2026[5]. O Ministério da Fazenda contrapõe argumentando que o resultado primário será 70% menor que o governo Bolsonaro[1][3].
Pesquisa Datafolha de dezembro de 2025 revela sinal positivo: 69% dos brasileiros afirmaram estar otimistas com 2026 em relação à vida pessoal, e 60% acreditam que o ano será melhor para o país[2]. O otimismo é maior entre eleitores de Lula, mulheres, jovens, nordestinos e setores de menor renda[2].
## ANÁLISE
O paradoxo reflete a complexidade da política brasileira contemporânea. Bons indicadores econômicos não garantem aprovação quando enfrentam desafios estruturais como inflação de serviços elevada e percepção de descuido fiscal[3][6]. A polarização política acirrada fragmenta a capacidade de o governo capitalizar seus avanços, enquanto críticas sobre gastos públicos crescentes ecoam entre eleitores de maior renda. O otimismo crescente observado em pesquisas recentes sugere possibilidade de recuperação de confiança, mas a trajetória até as eleições de 2026 permanece incerta, dependendo de como o governo gerencia a agenda fiscal e política nos próximos meses.
## CONCLUSÃO
O governo Lula 3 chega a 2026 com credenciais sociais e econômicas significativas, mas enfrenta desafio político de converter números em apoio político amplo. A recuperação da confiança observada em pesquisas recentes oferece oportunidade, mas exige gestão cuidadosa da agenda fiscal e comunicação efetiva dos avanços. O próximo ano será decisivo para consolidar as políticas reconstruídas e transformar o paradoxo em narrativa de sucesso político.
## ANÁLISE COMPLEMENTAR
**Dados/estatísticas relevantes:** Desemprego médio de 6,4% (menor desde 2012), rendimento médio real subiu 9,7% para R$ 3.507, inflação quadrianual projetada em 19,7% (recorde histórico). Saíram da pobreza 8,7 milhões e da extrema pobreza 3,1 milhões; classe média cresceu 17,9% para 38,6 milhões[1][2][4][6].
**Perspectivas diferentes:** Avanços em economia, emprego e sociais (SUS: 14 mi cirurgias eletivas, +37%) contrastam com estouro fiscal de R$ 399 bi no teto de gastos (2023-2026) e dívida/PIB em alta. Críticos apontam inflação de serviços em 6% (núcleo BC), risco de desaceleração para 1,8% em 2025 e desemprego crescente[3][5].
**Próximos passos/desenvolvimentos esperados:** Renda média acima de R$ 3.700 com isenção IR até R$ 5 mil; entregas de creches, telessaúde, hospitais e PAC (R$ 818 bi execu